Loja Alferes Tiradentes - Nosso trabalho: "Conhecer-se e aperfeiçoar-se"

Homenagem a Jerônimo Coelho


As três Potências Maçônicas sediadas nesta Unidade da Federação -, aqui presentes, Grande Oriente do Brasil/Santa Catarina, Grande Loja de Santa Catarina e Grande Oriente de Santa Catarina - concedem-nos o privilégio e a honra  de traduzir-lhes, neste ato,  a homenagem que rendemos ao notável catarinense  I.·. Jerônimo Francisco Coelho,  e aos homens que alicerçam a imprensa barriga verde.

Os traços biográficos do Ir.·. Jerônimo estão gravados nos anais da gloriosa história do Brasil; na memória da Imprensa Nacional e Catarinense, e faz partes de importantes  conquistas da Maçonaria, é um referencial mantido vivo entre os homens de bons costumes. É preciso, tempo-em-tempo, resgatá-los para  que sirvam de exemplo; nada mais digno do que ser exemplo para gerações futuras. 

No mundo conturbado de hoje, repleto de obstáculo à boa ação, conforta saber que a Maçonaria persiste por séculos na pregação dos mais sábios ensinamentos, ainda que todo seu esforço contraste claramente com tantas mazelas que impedem o pleno exercício da cidadania, que amordaçam a voz do povo; conforta saber que o Ir.·. Jerônimo, homem de coração extremoso e afeito ao bem, jamais se ausentou da luta pela liberdade de consciência; conforta saber que ele jamais se deixou influenciar por interesses minúsculos;

Patrono da Imprensa Barriga Verde, O Ir.·. Jerônimo lança em nosso solo, “O Catharinense”, jornal que pregava o princípio de que somente com  uma imprensa livre  era possível lutar contra “os poderosos”, contra o “cerceamento de expressão”. Circulava sob a legenda: “União e Liberdade, Independência ou Morte”, sempre encimada pelo pensamento:

“Se o crítico mordaz censura a imprensa, quem não escreve, que faz? Que pensa?”.

Ideário que até os dias atuais inspira as palavras ditadas pelos homens da imprensa catarinense, dando-nos mostras de que não estão indiferentes às investidas que privem o ser humano dos direitos e deveres de cidadão e da sua liberdade de consciência.

Ao lembrarmos, nesta data, da memória do Ir.·. Jerônimo, ressaltamos sua atuação como homem público, um  Construtor Social por excelência, que sempre esteve revestido de extremo dinamismo, com acentuada eficiência nos mais altos níveis hierárquicos  sob sua responsabilidade.

Comportamento que  “devia ser a inspiração daqueles que almejam  um cargo na administração pública”.

Em todas as áreas em que atuou, como militar, engenheiro, cientista, poeta, jornalista, político ou maçom, o Ir.·. Jerônimo se destacava pelo dinamismo invulgar,  capaz de acumular funções e conduzi-las sempre a bom termo, desde do tempo em que serviu ao Império, mormente no reinado de Pedro II, onde sua atuação se fez sentir de forma mais completa, deixando um marco indelével em todos os círculos políticos administrativos da Província e da Nação.

No exercício de suas funções como militar,  assumiu o Ministério da Guerra por duas vezes e esteve à frente da Pasta da Marinha,  deixando marcas de um trabalho austero, probo e, acima de tudo, revestido de seriedade no trato com os recursos públicos.

Graças à sua  reconhecida capacidade de arquitetar planos estratégicos, que foi possível por cobro à Revolução Farroupilha; o conhecimento adquirido ao longo de uma legendária carreira nas Forças Armadas,  revestiu-lhe de autoridade para elaborar um Regulamento capaz de promover ampla reforma nas escolas militares  então existentes, dentre outros feitos, que de certo honram todos nós brasileiros.

Como político, quer no  legislativo ou executivo, o Ir.·. Jerônimo guardou um comportamento irrepreensível, a par da sua honestidade a toda prova, jamais se deixou empolgar pela paixão partidária, sua busca era por projetos que os considerava de interesse nacional. Postura que era respeitada por seus pares, pois sabiam das razões maiores que o faziam a ter tal comportamento.

Constam do seu relatório ao afastar-se do governo provincial as seguintes palavras:

“Não partilhei com ninguém o exercício da minha autoridade: governei só e errei só. Nunca admiti confidências auriculares e nenhum ato de minha administração foi por alguém anunciada em praça pública.”

A Maçonaria,  dentro dos seus princípios ideológicos, não está indiferente à ação dos políticos, tem guardado vigília e levantado bandeiras que possam exigir do homem público um comportamento ético e moral.

É preciso que a sociedade saiba dos fatos com transparência; é preciso que a sociedade esteja bem informada para que possa tomar atitude capaz de por um basta à corrupção que medra nosso País; que o povo saiba escolher os homens públicos com liberdade e, acima de tudo, sabendo interpretar as reais intenções dos candidatos que se apresentam.

Neste aspecto, meus senhores..., o meio mais confiável, mais seguro e eficaz é a Imprensa Livre – esta é arma capaz de municiar o cidadão nesta árdua tarefa de escolher bem seus representantes.

É importante que esses formadores de opinião contribuam na formação dos “construtores sociais”, tão necessário neste momento em que sociedade clama por um brado que contribua para um mundo melhor, mais justo, mais eqüitativo.

Platão acreditava que “o Estado é o que é, porque os cidadãos são o que são”. Por conseguinte, não podemos esperar ter um melhor Estado, enquanto não tivermos melhores homens.

No momento em nos aproximamos de mais uma eleição majoritária, é preciso impedir que a incompetência e a improbidade continuem instaladas, ou venha a se instalar, nos cargos públicos, em todos seus níveis;

É preciso que nessas eleições saibamos os caminhos para modificar substancialmente o quadro político da Nação;

É preciso eleger novos perfis do Ir.·. Jerônimo Coelho, só assim estaremos contribuindo para um Brasil limpo daqueles que se aninham no poder para trabalhar em causa própria.

Nós Maçons, ombro a ombro, com os homens de bons costumes, temos deveres para com nossa Pátria e para com a humanidade.

Nosso trabalho deve estar voltado para a felicidade do gênero humano, com respeito às leis e às autoridades constituídas, mas, saibamos meus senhores... usar as armas que dispomos para combater, com a persuasão e a força moral do bom exemplo, tudo que atente contra a Razão e o Espírito Fraternal que une todos os homens.

Temos certeza de que os Profissionais da Imprensa aqui presentes continuarão a honrar memória do seu Patrono Jerônimo Coelho, pois assim este se expressava com relação ao temor que os políticos teriam da Liberdade de Imprensa:

 ... “eles jamais poderão encarar a Imprensa livre sem horror porque, por meio dela, os seus crimes e suas tramas serão sempre expostos ao conhecimento dos povos...”.

José Domingos Rodrigues

Grão-Mestre da Grande Loja de Santa Catarina.



Veja mais


© 2001-2010 RJHost.com.br
Loja Alferes Tiradentes Nº 20

Acessibilidade

Teclado: Menu Principal » alt+m | Conteúdo » alt+c Controles de Acessibilidade: | A (Normal) | -A (Dininuir) | +A (Aumentar)